Juan Matheus · Teresina-PI · plano 2026 → 2028

O cara que mostra Teresina como ela é

Rindo do calor, do ônibus e do buraco, e voltando lá pra ver se resolveram. Primeiro criador de conteúdo da cidade, sem falar de política. Depois, se fizer sentido, vereador.

45,2°
recorde de Teresina em 07/10/2026. O assunto já vem pronto.
5–6 milvotos elegem um estreante em Teresina
17 de 29vereadores eleitos em 2024 eram novos na Câmara
184 mileleitores de 16 a 34 anos na cidade (31%)
0“repórteres do buraco” em Teresina. A vaga está livre.
O que o Renan Santos está enxergando

A leitura de mercado, sem a ideologia

O Renan perdeu feio em 2026: 2,2% para presidente, e o partido dele elegeu só 1 deputado federal. Mas a autocrítica dele sobre como a política funciona nas redes é das melhores que existem. Aqui entra o diagnóstico dele. O caminho dele fica de fora.

1

Vota-se em quem parece conhecido

O eleitor virou “avatar digital”: escolhe pela relação que sente ter com quem vê todo dia no celular.

Pro Juan: a relação dele pode ser real. A pessoa vê o vídeo e depois encontra ele na feira.

confiança alta
2

Identidade move, proposta não

Ninguém segue plano de governo. Segue quem é reconhecido como “um dos nossos”.

Pro Juan: falar do jeito de Teresina. Proposta depois, e curta: duas ou três coisas concretas.

confiança média em vereador
3

Constância vence perfeição

Quem posta todo dia, no mesmo tom, entra em “fluxo” e o algoritmo premia. Quem some, o algoritmo desliga.

Pro Juan: dois ou três formatos fixos, repetidos até ficar automático. Fluxo no formato, cuidado no fato.

confiança alta
5

Like não muda nada

A pessoa dá like no vídeo indignado e sente que fez política. Nada acontece.

Pro Juan: mostrar o depois. “Voltei no buraco 30 dias depois.” Quase ninguém faz.

confiança média
6

A maior bolha é a do gosto popular

Forró, piseiro, futebol, igreja. Quem despreza perde, e o Renan admite que falou com uma bolha pequena e “letrada”.

Pro Juan: o jeito de Teresina, sem pose. Só usar o que é dele de verdade.

confiança alta
7

Só zoeira ficou velho

O voto de protesto no palhaço acabou. O eleitor quer alguém que leve a identidade dele a sério.

Pro Juan: humor abre a porta. De vez em quando, um vídeo sério que ganha peso por ser raro.

confiança média
Tese 4 · a mais útil de todas

O espaço vazio é a “dor de barriga”

O Renan mostra um político tradicional que perdeu para influencers e diz que o derrotado acertou: quando o problema bate na porta das pessoas, alguém tem que estar lá. O influencer não está.

Vereador tradicionalResolve o problema, mas ninguém vê.
InfluencerTodo mundo vê, mas não resolve nada.
O JuanMostra o problema do bairro, faz rir e volta pra ver se resolveram. Ocupa os dois lados.
Câmara Municipal de Teresina · TSE

Quanto custa uma cadeira

São 29 cadeiras. Entre 2020 e 2024, ficou bem mais caro entrar, mas ainda são milhares de votos, não dezenas de milhares. A meta é ser conhecido por umas 50 mil pessoas de Teresina, e não viralizar no Brasil.

  • 71%Ônibus. A queda de passageiros entre 2015 e 2023. A frota está em cerca de 213 ônibus. Todo mundo tem uma história de espera.
  • 45,2°CCalor. Recorde em 07/10/2026. É o assunto que une a cidade inteira e não briga com ninguém.
  • 2025–26Lixo. Crise na coleta, com contrato novo em outubro de 2026.
  • 43 milAngelim. O bairro mais populoso. As zonas Sul, Leste e Norte têm de 190 a 195 mil moradores cada.
  • ~3 milChapa barata. Em 2024, PSB e Podemos elegeram vereador com cerca de 3 mil votos. No PT, PRD e PL, nem 6 mil bastaram. Isso pesa na escolha do partido em 2028.
A referência · @alyssonandradeee · Santarém-PA

O repórter de buraco

Tem 27 anos e 976 mil seguidores. Foi parar no Domingo Legal, onde fez o famoso “buraco do Carlinhos”. O piso dele é de 100 mil visualizações por vídeo.

VídeoViewsCurtidasO que ensina
Compilado das “reportagens”11,5 mi1,79 miO público quer maratonar o personagem
Queimadas, tom sério, 27 segundos5,8 mi433 milQuem fez rir antes ganha crédito para falar sério
No Domingo Legal, “buraco do Carlinhos”1,5 mi245 milO formato funciona até fora da cidade dele
Eleição: “faça sua pesquisa”, sem lado1,5 mi149 milEle falou de política sem escolher lado
Paródia “VEM ASFALTAR”1,3 mi159 milMuito trabalho, mas funciona quando já existe público
Esquete com publi de curso na legenda117 mil9 milA pior relação de curtida por view: publi mal encaixada afunda

A fórmula, sempre na mesma ordem

  1. Abre com o nome real da rua“E nós estamos aqui, diretamente da…” O morador se reconhece no primeiro segundo.
  2. Bordão com o parceiro de câmera“Meu câmera” transforma os dois numa equipe de TV de mentira.
  3. Exagero sério, sem rirO buraco vira cratera de meteoro, a poeira da BR vira pó compacto grátis e o mato alagado vira selva.
  4. O buraco ganha nome de gente“Buraco do Zé” vira personagem e piada recorrente na cidade.
  5. Ele é a vítima da piadaEntra na água, cai, se suja. Nunca ri do morador.
  6. O morador é coadjuvanteO bordão que virou bio dele, “eu falo por mim”, nasceu da fala de uma moradora.
  7. Critica o problema, nunca a pessoaNa TV ele explicou: enquanto fala só do buraco, está tranquilo.
  8. Vídeo longo, com corte rápidoOs reels medidos duram de 2 a 3 minutos, com 15 a 32 cortes por minuto. São várias mini-reportagens em sequência.
Posicionamento

Não copiar. Achar o ângulo de Teresina

Já existem o Alysson, o Puliça em Caxias e outros no Norte. Um Juan de terno dentro do buraco seria cópia, e o público percebe. O que só Teresina tem: o calor, o ônibus, a cajuína e o rio Poti.

Regra da sinceridade

  • Só falar do que viveu ou foi ver de perto.
  • Sotaque, gíria e bairro dele de verdade.
  • Ele é a vítima da piada.
  • Voltar no problema e mostrar o depois.

Fica de fora

  • Tom de influencer de São Paulo ou de Brasília.
  • Fingir gosto que não tem, como igreja ou time.
  • Falar de vereador ou candidatura agora.
  • Tema nacional e geopolítica.
17 formatos analisados · os que entram

A espinha dorsal é a série por bairro

“[Bairro] responde #01, #02…” Cada episódio acontece num bairro, com uma pergunta fixa na rua, um problema com humor e uma coisa boa do lugar. O seguidor volta para ver o próximo bairro, e o Juan passa pela cidade inteira. É mapa de voto sem falar de voto.

Formato A · carro-chefe

Reportagem do problema

Abertura fixa com rua e bairro, parceiro de câmera, exagero sério e um nome para o problema. Depois, voltar lá.

Começar com 30 a 60 segundos. Compilado longo só quando tiver material.

Formato B · equilíbrio

Teresina tem / não tem

O lado bom e o ruim em lista rápida, ou nota de 0 a 10 para praça, feira e parada de ônibus.

Mostra que o Juan gosta da cidade. Não é só reclamação.

Formato C · gente

Pergunta na rua

A mesma pergunta em bairros diferentes: “quanto tempo você espera o ônibus?”.

O morador vira o conteúdo. Sempre com autorização de imagem.

Nota 5

Situações de ônibus

Esquete em que o Juan faz todos os personagens. Em Fortaleza, dois vídeos assim passaram de 1,2 milhão de views.

Ninguém em Teresina é dono desse tema.

Nota 5

Tudo a R$ 20

O que dá para comprar no mercado ou na feira do bairro. Um criador de Teresina fez 580 mil com isso.

Funciona em série, em duas partes.

Nota 4

Paródia do calor

O “Calor da Mizera” fez 1,88 milhão. Mira o clima, não a prefeitura.

A base musical tem que ser regravada, senão o Content ID derruba.

Evitar

React de notícia, que puxa política antes da hora. Desafio de pobreza, que pode parecer que está “brincando de pobre”. Filmar doação, que pesa na pré-campanha. E virar vitrine de publi: um perfil de Teresina caiu de 580 mil para 2 a 54 mil views depois de 12 publis seguidas.

Para gravar já

Os 10 primeiros vídeos

  1. 01
    Fiscal do BróTermômetro no banco da praça, no ponto de ônibus e no volante às 14h.
  2. 02
    Cronometrei o ônibusDo bairro do Juan até o Centro, com cronômetro na tela.
  3. 03
    O buraco mais antigo do bairroDar um nome ao buraco e contar a história dele como se fosse um monumento.
  4. 04
    Teresina tem / não tem, parte 1Cinco coisas boas e cinco ruins, bem rápido.
  5. 05
    Angelim responde #01Abre a série por bairro, começando pelo maior da cidade.
  6. 06
    Nota pra parada de ônibusSombra, banco, iluminação e tempo de espera, cada um com nota.
  7. 07
    Cada tipo de teresinense no calorEsquete em que o Juan faz todos os personagens.
  8. 08
    Voltei no buracoO retorno ao vídeo 03. Aqui começa o “depois”.
  9. 09
    Tudo a R$ 20 na feiraO lado bom do bairro: gente, comida e preço.
  10. 10
    O que você falaria pro prefeito?Pergunta na rua. O Juan não opina, quem fala é o morador.
Sem pensar demais

Roteiro de 4 linhas

Basta um celular, um microfone de lapela de uns R$ 100 e um amigo fixo na câmera. Grave numa tarde por semana e saia com 4 ou 5 vídeos.

0–2sCenaNome da rua ou um número: “45 graus”, “1h12 de ônibus”. Nunca “oi gente, eu sou o Juan”.
2–30sO que tá rolandoMostrar o problema ou o lugar. Detalhe concreto: rua, hora, nome.
fimViradaA piada, a surpresa ou a fala do morador.
fechoBordãoO mesmo de sempre, mais: “manda pra quem mora aqui”.
Toda segunda-feira, numa planilha

O número que importa é Teresina

Postar de 4 a 5 vezes por semana em Reels, TikTok e Shorts, sempre o mesmo vídeo. Seguidor de fora não vota aqui.

O que medir

  • % de seguidores de Teresina, no painel do Instagram. É o principal.
  • Quantos passaram dos 3 primeiros segundos.
  • Envios, que é gente mandando pro grupo da família.
  • Comentários com nome de bairro, que viram pauta.
  • Pedidos de “vem no meu bairro”.
QuandoMeta (chute para calibrar)
Mês 35 mil · 60%+ de Teresina
Mês 1230 mil
Início de 202850 mil+ de Teresina
Lei e segurança · não negociável

Bater no problema, nunca na pessoa

Crime contra a honra cometido pela internet tem pena triplicada. Um humorista de Teresina já foi condenado duas vezes por expor pessoas pelo nome. E 2024 teve recorde de violência política no Brasil.

  • Nada de “o prefeito é ladrão” e nada de nome de político no buraco.
  • Rua, data e imagem em todo vídeo. O vídeo é a prova e a defesa.
  • Postar só depois de sair do local. Nunca mostrar casa, família nem rotina.
  • Gravar sempre acompanhado e evitar área de facção.
  • Não entrar em água de alagamento, por causa da leptospirose.
  • Nunca pagar por corte nem por compartilhamento. Foi isso que deixou o Marçal inelegível.
  • Nada de deepfake com político. Conteúdo feito com IA leva aviso.
  • Anúncio pago está bloqueado para quem não é candidato. O crescimento é orgânico.
  • Rosto de morador só com autorização. Criança sempre desfocada.
  • Guardar print de toda ameaça e ter um advogado eleitoral de referência.
De agora até a urna

Linha do tempo

As datas de 2028 são estimativas: o TSE ainda não publicou o calendário.

  1. Nov–dez 2026começo

    Achar o ângulo, o bordão e o parceiro de câmera. Gravar os 10 primeiros vídeos. Constância acima de tudo.

  2. 2027crescer

    Série por bairro, voltar nos problemas, primeiros collabs com criadores sem lado político e alguns vídeos sérios. Começar a lista de WhatsApp e ir pessoalmente aos bairros que comentam.

  3. Até ~01/04/2028prazo duro

    Filiação a um partido e domicílio eleitoral em Teresina. Escolher a chapa onde 5 mil votos bastam.

  4. Abr–ago 2028pré-campanha

    Pode se dizer pré-candidato e falar de propostas, sem pedir voto. A virada vem natural: “mostrei os problemas por 2 anos, agora quero resolver”.

  5. 16/08/2028campanha

    Começa a campanha oficial.

O cara que todo mundo reconhece, que faz rir com os problemas da cidade, volta pra ver se resolveram e aparece de verdade na rua.